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Pode entrar, não precisa tirar a sandália.
Ao fim da miséria intelectual.

Eu não posso ser hipócrita de uma maneira que quando eu me levante para defender os direitos que tenho, ou que me são devidos, eu defenda somente algo como o direito dos homossexuais, ou o direito das mulheres, talvez até o direito dos animais. Esse que está por vir é um discurso batido, aviso antes que espere encontrar algo novo nas próximas linhas.

Esse é um discurso batido porque nas últimas décadas, séculos, e quem sabe lá a quantos milênios, o mundo sofre de um mal chamado DISCRIMINAÇÃO IGNORANTE, acompanhada de desmedidas ações de violência. E sim, eu não acho incorreto o preconceito, acho e é até estudado que ele é natural. O que te faz cruel ou equivocado não é o seu preconceito é a sua discriminação e violência à diferença.

 Não, jamais culparia a sociedade, que influenciada por tão maravilhosa ideologia, perpetua sem questionar, na maioria das vezes, a cultura da intolerância, da ignorância, da hipocrisia e da subordinação. A cultura do não pergunte, não questione, não ouse. A cultura que te aprisiona e não te deixa nem saber quem é que te prende. “Já perguntou quem controla sua vida? Então descubra quem você não pode criticar.” É o tipo de frase que passeia pelas redes sociais, mas que carrega grande verdade dentro de si.

 Pare de deixar que te distraiam, eles não querem que você perceba como tudo funciona. Não é interessante para você saber que é completamente natural ter preconceitos? É importante e saudável, preconceito foi um fator fundamental para o desenvolvimento humano e é até os dias de hoje. Mas outro fator que também ajudou o ser humano a evoluir, talvez tanto quanto o preconceito, foi a curiosidade, mas não uma curiosidade condenadora. A história mostra isso, o avanço na ciência, na filosofia, o avanço na construção do ser humano se deu pela liberdade de questionar, de se perguntar, de buscar resposta para todas as dúvidas que você tenha. Sim, transformar o preconceito em conhecimento envolve riscos, porque a curiosidade envolve riscos, mas gera evolução, gera ACEITAÇÃO. Gera união e crescimento.

 Então saia lá fora, e vá questionar. Se pergunte sobre tudo, e pare de achar que sua cabeça dói por isso, ou que o seu questionamento não levará a nada. É presunção de mais acreditar que num mundo aonde as coisas estão conectadas de tantas maneiras, seu pensamento e voz não farão diferença. Destrua os dogmas, construa a verdade do conhecimento.

 É um pedido de reflexão, sobre as origens das suas verdades. Quantas vezes você as questionou? Em quantos livros você procurou respostas? Quantos pontos de vista diferentes você procurou? É fácil manter uma posição quando todas suas fontes pensam igual a você. Pode questionar-se sobre a composição do sol, ou do grão de areia no qual pisa. Você pode questionar-se sobre o funcionamento do seu corpo ou da sua mente. Você só precisa duvidar.

 E qual a relação que existe entre a dúvida e a discriminação? Toda. Você só discrimina o que você não conhece. O conhecimento gera afastamento ou aceitação, e mesmo que não seja esse o caso, gera pelo menos argumentos inteligentes e melhor fundamentados na hora de se posicionar contra ou a favor de alguma coisa. A dúvida esclarece.

 Então, antes de questionar as feministas, os machistas, os pró-gays, os anti-gays, os vegetarianos, os carnívoros: Entenda-os! Não é só porque você vive num país aonde a maioria da população não tem um nível de educação aceitável que você deve usar isso como desculpa para permanecer na miséria intelectual.